Principais conclusões
- Um plano é um documento de decisões escrito antes de a pressão chegar.
- Cubra propósito, mercados, timeframes, setups, saídas, risco, rotina e revisão.
- Torne cada regra verificável com uma resposta de sim ou não.
- Mantenha as regras de risco como núcleo e altere regras apenas nos dias de revisão programados.
Um plano de trading é um conjunto de regras escritas que define de antemão o que você vai operar, quanto vai arriscar e quando vai parar. Sua principal função não é torná-lo mais esperto. É impedir que você improvise sob pressão, justamente quando as decisões improvisadas costumam ser as piores. Este modelo pode ser copiado, preenchido e revisado conforme você aprende.
O que um plano é e o que não é
Um plano é um documento de decisões. Ele responde perguntas em um momento de calma para que você não precise respondê-las enquanto uma posição anda contra você. Não é uma previsão de para onde o mercado vai, nem uma promessa de que segui-lo vai dar resultado. Um plano pode ser seguido à risca e ainda assim perder por um curto período, porque um método sólido tem sequências de perdas.
Um bom teste é verificar se um desconhecido conseguiria lê-lo e dizer, para qualquer gráfico, se uma operação é permitida e de que tamanho ela deve ser. Se a resposta depende de como você está se sentindo naquele dia, o plano tem lacunas.
O modelo em oito partes
Preencha uma vez e revise de forma periódica
- Propósito e restrições. Diga por que você opera e para que serve o dinheiro. Anote o valor que pode perder sem mudar a sua vida e o tempo que realisticamente consegue dedicar a cada dia.Dica: Dinheiro de que você vai precisar em até um ano não pertence a uma conta alavancada.
- Mercados e instrumentos. Liste os poucos mercados que vai operar e o motivo, por exemplo dois ou três pares de moedas ou um pequeno grupo de ações líquidas. Menos instrumentos significa conhecer melhor seus hábitos e custos.
- Timeframe e horários de operação. Escolha os timeframes dos gráficos que usará para contexto e para execução, e os horários em que estará diante da tela. Um plano que exige acompanhar gráficos durante a madrugada precisa de proteção automatizada.
- Condições do setup. Descreva em termos verificáveis o que precisa ser verdade antes de considerar uma operação: direção da tendência, um nível, um padrão, um filtro de volatilidade. Mantenha curto o bastante para guardar de cabeça.
- Regras de entrada, stop e saída. Defina como você entra, onde fica o stop e por quê, e como os lucros são realizados. Diga o que fazer quando a operação está no meio do caminho e o que fazer se o setup for invalidado antes do stop.
- Regras de risco. Fixe o risco por operação como percentual da conta, uma perda máxima diária ou semanal, um número máximo de posições abertas e um limite para exposição correlacionada.
- Rotina e registros. Defina a checagem pré-sessão, a leitura do calendário de notícias e o que você registra após cada operação. Um diário transforma o plano em dados.
- Revisão e controle de mudanças. Estabeleça com que frequência você revisa e que evidências são necessárias para mudar uma regra. As mudanças acontecem nos dias de revisão, não no meio de um drawdown.
Um exemplo preenchido
A tabela abaixo mostra como as seções poderiam ficar para um swing trader em tempo parcial. Cada item é uma ilustração do formato, não uma recomendação de método ou de mercado.
| Seção | Item ilustrativo |
|---|---|
| Propósito | Aprender o ofício com uma conta pequena; sem necessidade de saques por 12 meses |
| Mercados | Três pares principais de moedas; sem pares exóticos, sem ações de baixa liquidez |
| Timeframes | Gráfico diário para a direção, gráfico de 4 horas para o timing; revisão uma vez por noite |
| Setup | Tendência definida pela estrutura no gráfico diário; operar apenas recuos até uma zona marcada |
| Entrada e stop | Stop além do último swing mais uma margem de volatilidade; pular a operação se o stop for mais largo do que o plano permite |
| Risco | 1% por operação, 3% de risco máximo em aberto, pausa no dia após duas perdas, pausa na semana após uma perda semanal de 5% |
| Rotina | Consultar o calendário econômico; sem novas operações 30 minutos antes ou depois de divulgações de alto impacto |
| Revisão | A cada 20 operações; uma regra só muda se o diário mostrar um problema consistente |
Como escrever regras que você consegue verificar
Regras vagas falham no dia que importa. Compare 'só operar quando a tendência for forte' com 'só operar quando o preço tiver formado duas mínimas ascendentes no gráfico diário e estiver acima da média móvel de 50 períodos'. A segunda pode ser respondida com sim ou não. Ainda pode ser uma regra ruim, mas dá para testá-la, registrá-la no diário e melhorá-la, o que é impossível com a primeira.
- Prefira números a adjetivos: 'no máximo três operações por dia' vale mais do que 'não faça overtrading'.
- Escreva as saídas com o mesmo cuidado das entradas; a maioria dos planos gasta 90% das palavras na entrada.
- Inclua uma regra para não fazer nada: como é um dia sem operações e o que você faz com esse tempo.
- Adicione uma lista de 'e se': queda da plataforma, um gap que atravessa o seu stop, um aviso de chamada de margem, uma manchete inesperada.
Revisar e alterar o plano
Um plano que nunca muda acaba deixando de se encaixar, e um que muda depois de cada perda não é plano nenhum. Um meio-termo viável é separar a observação do ajuste. Durante a semana de operações você apenas registra. No dia da revisão, você olha uma amostra de operações, compara os resultados com a expectativa e decide se alguma regra precisa ser alterada.
Tenha cuidado especial ao mudar regras logo após uma sequência de perdas. Uma sequência de cinco perdas costuma ser variância normal, sobretudo se você estava seguindo o plano. Se o diário mostra que as perdas vieram de quebras de regra, a solução é disciplina, não um método novo. Se todas as operações seguiram as regras, espere uma amostra maior antes de concluir que as regras estão falhando.
Perguntas frequentes
Qual deve ser a extensão de um plano de trading?
Normalmente de uma a duas páginas. Se você não consegue guardá-lo de cabeça, não vai segui-lo sob estresse. Um plano curto com regras precisas vale mais do que um longo com regras vagas.
Quem compra e mantém investimentos precisa de um plano?
Sim, mas de outro tipo: cronograma de aportes, metas de alocação, regras de rebalanceamento e o que fazer diante de uma grande queda do mercado. O princípio é o mesmo, que é decidir antes do estresse.
E se eu seguir o plano e ainda assim perder?
Isso pode acontecer em períodos curtos. Compare os resultados com a faixa esperada do plano, verifique custos e execução e aguarde uma amostra significativa antes de mudar o método.
Meu plano deve incluir metas de lucro?
Ele deve dizer como os lucros são tratados, seja com uma meta fixa, um stop móvel ou uma saída por tempo. Não ter uma regra deixa a decisão nas mãos da emoção.